A vida pode ser bem mais simples

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St Marteen, 21 de Outubro de 2015.

Como a vida pode ser bem mais simples! Escrevo estas palavras tomando café da manhã em St. Marteen, lado francês. Enquanto dou uma bicada no café, vejo o povo do mar ir e vir em seus dinghes entre manutenções, obrigações e coisas do tipo.

Cheguei aqui ontem para iniciar de forma séria (agora sim!!) a compra do nosso barco. Comprei a passagem pra cá exatamente no dia em que entreguei o Lafitte pro seu novo dono, meio que um remédio pra curar a ressaca da venda do barco.  Deu certo, pensei tanto nesta viagem que virei a página rapidamente e nem olhei pra trás.

Vim sozinho de mochila nas costas, música nos ouvidos e muitos pensamentos na cabeça. Como essa viagem é exploratória – a primeira de duas ou três vindas, trazer a tropa toda não cabia na logística e nem no bolso.

Nos últimos dois dias vi uns 7 a 10 barcos entre catamarans e veleiros. Bom estar aqui, pois a variedade, tamanhos e quantidades de barcos põem o Brasil de joelhos. Enquanto em todo nosso país devemos ter um ou dois Jeanneaus 54 por aqui tem cinco a cada esquina.

Inclusive vi um destes de cair o queixo. Como estamos no meio da época de furacão o bichão estava amarrado no seco em um shipyard impondo respeito.  Shipyard (eu não conhecia) é um grande pátio de estaleiro onde eles fazem manutenções e também guardam barcos amarrados em blocos de concreto ou enterrado com a quilha no chão para proteger do furacão. Deve dar certo, pois o pátio estava lotado.

Jantei ontem tomando um vinho e olhando para Fountain Pajot Orana 44 (catamaran), simplesmente um espetáculo! A cada garfada na pizza meu pensamento ia mais longe imaginando a vida a bordo com nossa galerinha. Verdade é que esse barco (dos sonhos) talvez não caiba no nosso bolso em tempos de Dilma com dólar a 4 reais. Mas quem sabe, sonhar é de graça.

Hoje pego um voo para Martinique – outra ilha francesa a duas horas daqui. Por lá tem vários catamaran para visitar e alguns bons veleiros também.

É, a vida pode ser sim bem mais simples e descompromissada. Por aqui já conheci francês, inglês, lituano, alemão… Todos filhos do mundo, viajantes que já pingaram em vários países e em vários tipos de trabalhos como garçons, brokers, skypper, gerentes de restaurante e por aí vai.

Falam vários idiomas e trabalham para ganhar algum dinheiro e viver. Diferente do nosso modelo atual de viver para trabalhar, conquistar, competir… Se o trabalho acaba ou a vida tá ruim ele simplesmente mudam de ilha ou mesmo de país.

Um deles, um alemão grande (que já morou em vários países) e hoje é gerente de uma pizzaria onde estava jantando, me cumprimentou e quando viu que eu era brasileiro já mandou na lata, “Good evening 7 – 1”, demorei para entender, mas ele chutou de primeira: “…come on, don’t you remember the worldcup last year ?”, ok.. entendi.  “We’ll be back” , eu disparei.  :)))

Outra historia interessante é da broker (Marie-Claire) que esta me atendendo.  Francesa, simpática, mora por aqui há dois anos, veio para cá com o marido e dois fillhos de “mala-e-cuia”.  Aproveitou que fala vários idiomas e mesmo sem entender muito de barco conseguiu emprego como broker de barcos. Simples assim, decidiu mudar de vida e pronto.

Enfim.. mais notícias em breve.

 

 

 

 

 

 

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