Corpo dolorido cabeça vazia

Tempo de leitura: 5 minutos

Curaçao, 15 de Julho de 2016.

Eu achei que o tempo fosse freiar quando estivéssemos aqui. Mas que nada, os dias tem passado rápido e num piscar de olhos completamos quinze dias aqui.

Acho que a primeira fase da nossa adaptação já está feita, nossa “casinha” esta funcionando perfeitamente. Já provisionamentos o barco, temos água, gás, energia elétrica, um monte de comida, frutas, verduras, café de coador funcionando perfeitamente… Cada um já está com suas cabines arrumadas, brinquedos guardados – nenhum sinal de caixas ou bagunças espalhadas. A rotina diária devagarzinho começa a aparecer.

O sono tem sido de rei. Coloco a cabeça no travesseiro e em coisa de cinco minutos pisco o olho e já acordo de manhã. Sono profundo. Sono bom do corpo cansado e da cabeça vazia. Por falar em corpo cansado, devagarinho ele (o corpo) – presta atenção senão tu não me acompanha! – também vem se adaptando a nova vida,  mas as dores daqui são diferente das dores da cidade.

Em São Paulo era normal minha cabeça doer, ombro travar e lombar doer – coisa normal da vida urbana estressada e acelerada. Lá a cabeça trabalhava mais do que o corpo processando a milhares de coisas ao mesmo tempo e espalhava choque elétrico travando a tubulação dado a ferrugem. Minha lombar sempre falava comigo ao longo do dia…

Aqui é diferente. A cabeça pensa nas coisas do barco e o corpo trabalha muito, o tempo todo. Minha lombar está na boa, feliz… e nada de dor no ombro. Mas por outro lado doe outras partes do corpo que estavam adormecidas a séculos. Aqui doe meu joelho esquerdo, a planta do pé, o meio das costas.. As pernas cansam e as mãos também. Também, não paramos nenhum minuto.

Já começamos a preparação do barco para sairmos da marina – temos executado diariamente uma lista de coisas que tínhamos desenhado desde a última vinda (sim, cotinuo com minhas listas de tarefas diarias a cumprir!). Já configuramos antena da internet (ficou show), já fizemos reparo na vela mestra (digo, tiramos a vela e enviamos para um cara fazer), já reapertamos parafusos do barco, trocamos algumas lâmpadas por led, trocamos e reorganizamos os cabos, subimos no mastro, limpamos o fundo do barco, refizemos amarrações da âncora reserva, reorganizamos caixa de ferramentas, e já nos embrenhamos por cada buraco e paiol do barco para melhor conhecê-lo.

Mas a lista não acaba não… A cada coisa que a gente mata, pintam mais duas ou três na lista. Ja temos engordado uma longa lista para fazermos quando subirmos o barco para pintar o fundo – o que deve acontecer agora em agosto. Mas um dia por vez, sem pressa vamos avançando. O meu corpo em formato de jaca vem mudando devagar e acho que já perdi uns 2kg, apesar do meu caçula continuar dizendo que não… E continuar me chamando de “bochecha” 🙂

Minha Branca assumiu a posição de Personal trainer do Itacaré – e temos vez ou outra feito um circuito que envolve pesos de mão, corrida, corda e abdominais. Claro que morro nos primeiros 7 minutos, mas sigo insistindo. Tem dias que o corpo acorda todo dolorido como se tivesse sido atropelado. E acho que neste ritmo talvez em um ou dois meses meu umbigo deva pular pra fora – faz vinte anos que ele pulou pra dentro e nunca mais o vi.

As crianças tiveram – acho eu – três momentos diferentes na adaptação. No começo tudo foi festa, dado a ansiedade e novidade. Dias depois bateu um pouco de “tédio” e vez ou outra ouvimos algumas reclamações (“prefiro nossa vida em São Paulo”, chegou a gritar um deles). Mas logo depois (graças a Deus!) eles entraram no clima, passaram a brincar diariamente na água (sobe no barco, pula pela frente, e volta por baixo do barco, sobe de novo… e por aí vai – ficam horas assim), e passaram a me ajudar a limpar fundo do barco, arrumar os cabos e também a remar na nova canoa.

Estes dias na Marina tem sido de muito trabalho, e ao mesmo tempo “conforto” . Aqui só temos um casal de franceses como vizinho e pronto… Marina vazia, bonita, limpa toda pra gente.

O casal de franceses , inclusive – virou grande amigo nosso. Já jantaram aqui em casa, já jantamos na casa dele e muito temos aprendido com eles sobre vida a bordo, manutenções, organização do barco, etc.

O barco deles (Oxygen), inclusive, é impecável – tudo no lugar! ….foi o francês quem me ajudou a subir no mastro – com a Branca atenta ao lado dele, você viu o vídeo no Instagram?

Enfim, o conforto deve acabar no fim do mês – quando já vamos sair da Marina e tocar nossa vida normal ancorado por aí. Em breve mais noticias!

 

Nada é fácil rapaz, nosso freezer parou de funcionar.. catei um holandes na internet e levei ate a casa dele para trocar umas peças. Acho que ficou ok.. vamos ver.

Foto la do alto do mastro – subi lá para trocar o cabo da vela principal.. o estômago dá uma trancada, mas faz parte. É melhor aprender a fazer agora parado na marina – do que aprender depois em alto mar.

Brinquedo novo… é meio graúdo – mas o bom é que da pra ir 3 remando.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado.