Corre pois o hurricane esta vindo!

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Com tristeza deixamos a Flórida rumo ao Brasil. No retrovisor, o furacão Irma a caminho.

Fort Lauderdale, 6 de Setembro de 2017.

Escrevemos estas palavras “ao vivo” seguramente sentados em um restaurante dentro do Aeroporto de Fort Lauderdale, na Flórida. Uma mistura de sentimentos passam pela cabeça no momento.

Na nossa frente estão os bilhetes do voo da Avianca para o Rio de Janeiro. Era para estarmos todos felizes em poder retornar para pátria amada para pelos próximos 35 dias curtir o carinho e o calor de amados amigos e familiares.

Mas a verdade é que a chegada do Furacão Irma tirou qualquer alegria da nossa viagem. Ao invés de nos sentirmos retornando para casa, nos sentimos sim fugindo da boca de um mostro categoria 5, destruidor de lares e sonhos.

Enquanto escrevo pipocam na tela da TV imagens vindas de Porto Rico. Na tela do nosso ipad.. mais notícias das Ilhas Virgens e Saint Martin, no leste do Caribe. O Irma acabou de passar por lá – o olho do furacão, exatamente por cima da ilha. Nada ficou de pé.

Em BVI, todas as casas perderam telhado. Prédios vieram abaixo, carros estão revirados pelas ruas, árvores derrubadas e ruas alagadas. E nas marinas?!  …ai ai ai, é ai que meu coração aperta ainda mais: os barcos estão embolados e empilhados como se tivessem saído de um liquidificador. Não sobrou um inteiro.

Por mais que estejamos devidamente seguros, com toda nossa familia sã-e-salva, não dá para o coração não encher-se de tristeza.

A previsão do NOAA (centro metereológico dos EUA) mostra claramente que o monstro vem para Flórida preservando o seu M. O M é de “major” (em inglês), grandioso em português ou M de “vai dar merda!”, como você preferir.

No caminho ele ainda deve arrasar nossa querida Bahamas e Turks & Caicos, lugares amados de água cristalina que tanto velejamos e fizemos amigos meses atrás.

Aqui pela Flórida a vida já mudou o seu rumo natural.

Nos últimos três dias estivemos na casa dos nossos queridos amigos Lawrence e Linda, em Vero Beach (2 horas acima de Fort Lauderdale). De noite, tivemos jantares agradáveis e ótimo bate-papo, mas de dia foi um corre-corre danado para tentar preparar a casa para o pior.

Em uma operação de guerra em pouco tempo eles amarraram árvores, retiraram tudo pelo jardim, tamparam janelas e organizaram o interior da casa tentando acumular em um quarto as coisas mais preciosas. “Acho que na sala é mais perigoso, pois a chaminé pode vir abaixo”, dizia ele.

E ontem o tempo precioso foi ainda mais encurtado pois tive que ir mais uma vez a St Augustine, 3 horas e carro acima, para acertar os últimos detalhes com a Marina e checar pela ultima vez as amarrações do nosso amado Itacaré.
“Fiquem com Deus amados amigos e amado Itacaré!”, pensamos. 

Deixamos Vero Beach com sentimento de que pouco fizemos por eles, gostaria de poder ter ajudado mais. Nos despedimos com coração apertado e seguimos nosso rumo.

No caminho para o aeroporto ja vimos o princípio do caos começar a formar-se.

Postos já sem gasolina com filas imensas, mercados desabastecidas e um mundo de gente na estrada seguindo em direção ao norte. O governo já a disparou o alerta de evacuação e liberou os pedágios da estrada facilitando que o povo evacue as cidades mais ao sul.

Para trás ficaram as casas e sonhos. Para frente a esperança de sair ileso e a torcida para que o mostro vire um pouco para direita e vá se perder em algum lugar no meio do Atlântico.

Nossos corações apertam ainda mais quando imaginamos como será que encontraremos o Itacaré daqui há 35 dias. “Fizemos nossa parte”, tentamos nos convencer. Afinal, deixamos ele no seco amarrado no chão, sem velas, todo limpo no convés, já preparado para pauleira.

A duas horas de distância daqui de Fort Lauderdale, St Augustine também encontra-se na rota do monstro.

A nosso favor temos o fato do barco estar no seco, a posição da nossa marina dentro de um rio fora do alcance das ondas destruidoras vindas do mar, e temos também, sem duvida, a posição de St Augustine ligeiramente mais para Oeste no final da curva que o continente americano faz para dentro.

Contra a gente temos o prognóstico ruim do mostro passar com seu olho beirando a costa leste arrasando as cidades litorâneas…

Vamos ver no que vai dar.

A parte boa disso tudo é o sentimento de que somos filhos do mundo e que nossa vida hoje é muito simples cabendo dentro de duas malas. E se estivermos bem, Unidos e com saúde .. qualquer sonho podemos reconstruir, em qualquer lugar!

Enfim, vida que segue. E em 5 dias descobriremos que rumo nossa aventura deve tomar.

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